SAÚDE PÚBLICA

Imagem: Ryan Patrick

A dor e a indignação de familiares e comunidade em frente à UPA de Cianorte, cobrando por justiça pela morte da menina Helena Vitória, são legítimas e merecem todo o meu respeito. Quando uma vida é interrompida, ainda mais de uma criança com a idade da Helena, o desejo por respostas rápidas e rigorosas é a única reação humana possível.

No entanto, precisamos enxergar o cenário completo. O que vemos na ponta do sistema de saúde hoje (os municípios), pode ser despreparo médico, pouca formação ou descaso da secretaria de saúde? Talvez sim. Mas também é reflexo de anos do sufocamento financeiro de áreas essenciais, trazidos por regras fiscais (como o Teto de Gastos de 2016) e Arcabouço Fiscais, que servem para drenar o dinheiro público para o setor financeiro na chamada "dívida pública". E então, os efeitos desses congelamentos e cortes, chegam diretamente como cortes de recursos na saúde, gerando UPAs lotadas, filas para tratamentos, equipes sobrecarregadas, falta de profissionais, falhas estruturais e desejos de terceirizações que cobram o preço mais alto de quem mais precisa, nós a população.

Com toda essa tragédia, é preciso ter atenção redobrada para que a dor e a fragilidade humana não sejam sequestradas por interesses de grupos políticos ou oportunismos de ocasião. A busca por justiça e por melhorias estruturais no SUS não pode virar simplesmente palanque regional. Que o foco permaneça onde deve estar, seja na apuração rigorosa dos fatos, no amparo à família, na cobrança por uma saúde pública digna, eficiente e verdadeiramente humana para Cianorte e o Brasil.