O Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio, nasceu das lutas históricas por dignidade, jornada justa e direitos básicos. Hoje é um dia de memória, mas também de análise crítica sobre o presente. No Brasil, devemos lembrar que existe uma dívida pública inacabável que pagamos com o suor de nosso trabalho, juros altos e estruturas que mantêm exploração, desigualdade e morte.
Hoje é um dia em que a dívida pública precisa ser compreendida, e debatida pela sociedade. Dia de lembrar que a maior parte do orçamento federal é destinada ao pagamento de juros e amortizações, sem transparência suficiente sobre sua origem, composição e beneficiários. Enquanto o Estado prioriza esse pagamento sem questionamento, há menos investimento e cortes de "gastos" em políticas públicas essenciais, como saúde, educação, moradia e assistência social para sustentar a dívida. Além disso, existe os juros altos que são "justificados" falsamente como instrumento de controle da inflação. Eles encarecem o crédito, dificultam o consumo das famílias e travam o crescimento de pequenos negócios. Para nós trabalhadores comum, isso significa menos oportunidades, maior endividamento e perda de poder de compra. Já para o sistema financeiro, representa ganhos grandiosos e seguros, o que reforça uma lógica errada de concentração de renda. Os juros elevados também desestimulam o investimento produtivo. Empresas tendem a investir menos na produção quando podem obter retornos mais altos e seguros aplicando recursos no mercado financeiro. Isso reduz a geração de empregos e enfraquece a economia real que efetivamente emprega e sustenta as nossas cidades e população.
Precisamos entender que quando o orçamento público fica “engessado” pelo peso da dívida, diminui-se a capacidade do Estado de investir em políticas de desenvolvimentos reais. Isso limita projetos de longo prazo, como infraestrutura, inovação e valorização do trabalho. Com isso, a nossa soberania nacional é afetada, pois decisões econômicas passam a ser condicionadas em 1° lugar, por interesses financeiros. Diante disso, a luta da sociedade como classe trabalhadora, deve ganhar um caráter mais amplo. Não devemos apenas reivindicar melhores salários ou direitos trabalhistas como o fim da escala 6x1, mas devemos argumentar e reivindicar a mudança do nosso modelo econômico. Defender auditoria da dívida, questionar a política de juros e exigir transparência são formas de participação política e cidadã. Que o Dia do Trabalho ou Dos Trabalhadores, seja um chamado à consciência e luta coletiva. A história mostra que avanços sociais não foram concedidos espontaneamente, mas conquistados por meio do conhecer, organizar, e mobilizar. Hoje, essa luta continua na defesa do orçamento público, na crítica às desigualdades estruturais e na construção de um modelo que coloque a vida e o trabalho acima da lógica financeira.
Viva os Trabalhadores!
Leia o artigo de Maria Lúcia Fattorelli: O Sistema da Dívida rouba direitos da classe trabalhadora