JESUS A MANIFEESTAÇÃO CÓSMICA DO CRIADOR NA MATÉRIA
No princípio era o Logos, e o Logos estava com Deus e o Logos era Deus. No princípio, ele estava com Deus. Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito. E o Logos se fez carne e habitou entre nós; e nós vimos a sua glória, glória que ele tem junto ao Pai como filho único, cheio de graça e verdade. (João 1:1-3,14)
A encarnação de Cristo em meu entendimento, é o acontecimento mais desconcertante e grandioso de toda a existência. Porque em Jesus não vemos apenas um mestre, um filósofo, um profeta ou um homem iluminado.
Vemos o próprio fundamento do ser atravessando a matéria.
Aquele que sustenta galáxias, campos de força, tempo, energia, vida e consciência não permaneceu apenas como princípio distante, abstrato ou inalcançável.
O Criador não ficou escondido atrás da imensidão do cosmos, ele entrou nele.
Entrou não como ideia, não como metáfora, não como pura energia impessoal, mas como presença viva na carne.
Isso significa que, em Jesus, o universo olha para sua própria origem com rosto humano.
A matéria, que parecia apenas extensão, peso, limite e desgaste, torna-se em Cristo lugar de epifania.
A carne deixa de ser biologia e passa a ser também sacramento do mistério.
O átomo, a célula, o sangue, os ossos, os nervos, a pele, passam a serem parte de seu autor.
Jesus é o ponto em que o invisível toca o visível sem o destruir.
Ele é o ponto em que o eterno entra no tempo sem deixar de ser eterno.
É o ponto em que o Absoluto assume a finitude sem deixar de ser infinito.
Nele, o cosmos deixa de ser algo distante e se revela como lugar de gestação da glória.
A cruz, então, não é apenas sofrimento histórico.
Ela é um abalo ontológico.
Nela é como se a própria estrutura do ser fosse atravessada pelo amor até suas últimas consequências.
Em Cristo crucificado, o Criador não observa a dor do universo de fora, ele a assume por dentro.
E a ressurreição não é apenas um milagre religioso, mas uma ruptura cósmica, porque, se a matéria ressuscita em Cristo, então a matéria não está condenada ao absurdo.
Se o corpo glorificado emerge do túmulo, então a criação não caminha apenas para a decomposição, mas para a transfiguração.
A ressurreição de Cristo, é a resposta do Criador ao drama do universo, pois o destino final da realidade não é o nada, não é a entropia, não é o colapso, não é a morte.
O destino final da criação é a plenitude.
Por isso, Jesus não é apenas o centro das religiões cristãs.
Ele é central para a própria inteligibilidade do real.
Nele, compreendemos que o universo não é um acidente frio, mas uma realidade aberta à comunhão, à consciência, ao amor e à glorificação.
Cristo é o lugar onde o cosmos descobre que sua origem é amor, e que seu fim não é dissolução, mas plenitude.
Em Jesus, o Criador não apenas visita a matéria.
Ele a assume, a atravessa, a redime e a eleva.
Jesus é, assim, a matéria tomada pelo Eterno, o tempo visitado pelo Absoluto, a carne iluminada pelo Infinito, e o cosmos tocado por sua própria Fonte.
E talvez seja justamente por isso que tudo no universo geme, espera e aponta para Ele.
Se no Êxodo o Criador se revelou como Aquele que liberta, em Jesus Ele se revela de como o Criador que entra na criação, transformando a páscoa não apenas em memória de um povo que saiu do Egito.
A história alcança sua plenitude quando o próprio Criador atravessa a matéria, assumindo a carne, e habitando entre nós homens mortais.
Aquele que formou o pó da terra agora assume o pó da terra.
Aquele que criou do átomo o corpo humano, aceitou habitar um corpo humano.
Aquele que sustenta o universo, entrou no tempo, sentiu fome, sede, cansaço, dor, lágrimas, angustia e sangue.
Para mim, isso é escandaloso e sagrado ao mesmo tempo.
O Eterno tocou o tempo.
O Invisível se fez visível.
O logos se fez carne.
Em Cristo, o criador não ficou distante da matéria como se ela fosse impura ou indigna.
Ao contrário, ele santificou a matéria ao habitá-la.
O ventre de Maria e seu nascimento, a madeira da cruz, a água do batismo, o mandamento do amor, o pão e o vinho, o túmulo vazio, tudo isso revela que o Criador não quis salvar o ser humano fugindo do mundo, mas passando pelo mundo.
Por isso, rememorar o tríduo pascal, é tão poderoso e digno de fé.
Porque no êxodo o Criador passa com os seus anjos, em Jesus ele passa com o seu próprio corpo.
A matéria, ferida pelo ego e pela morte física, encontra em Cristo lugar de redenção, cura e eternidade.
Se no Egito o Criador libertou um povo da escravidão e domínio de opressores, em Jesus Ele liberta toda a criação da corrupção e da morte.
Cristo é o Êxodo eterno dentro da nossa história.
Fazendo da ressurreição o destino final de toda a criação.
Jesus é, portanto, mais do que um personagem de uma mitologia histórica e religiosa.
Ele é o ontem, o hoje e o sempre!
Amém!