ARTIGO DE OPINIÃO

A direita como política do ressentimento

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No cenário atual da política brasileira, a direita brasileira apresenta-se como defensora da ordem, da família e da tradição. Contudo se analisarmos, veremos que esse campo político não se movimenta por projetos de futuro, mas sim pelo ressentimento. Tal característica compromete o debate democrático, pois gera uma política baseada na mágoa e no vitimismo. Em primeiro lugar, é possível afirmar que o ressentimento da direita está ligado à percepção de perda de privilégios. Quando parcelas historicamente marginalizadas conquistam direitos como pobres viajando de avião, negros acessando universidades ou mulheres ocupando espaços de poder, parte da direita interpreta isso como ameaça. O que deveria ser visto como avanço coletivo é entendido como “injustiça” contra os antigos beneficiários de uma ordem desigual. Assim, a reação não é de adaptação, mas de resistência rancorosa. A direita adota um discurso contraditório: acusa a esquerda de “mimimi”, mas constrói sua identidade na condição de vítima. Reclama da imprensa, das universidades, da diversidade cultural e até de instituições democráticas. Essa postura remete à análise de Nietzsche sobre o ressentimento, segundo a qual aqueles que não criam valores próprios passam a se definir pela oposição a um inimigo. Dessa forma, a direita brasileira não projeta futuro, mas vive de culpar “o outro” por suas frustrações. Portanto, compreende-se que a direita nacional se estrutura como política do ressentimento, voltada mais à queixa do que à construção. Para enfrentar esse problema, é fundamental que a sociedade civil, por meio de escolas e universidades, incentive a educação crítica e o debate plural, de modo a revelar os mecanismos do ressentimento e valorizar projetos coletivos de futuro. Assim, será possível reduzir o espaço de discursos baseados na mágoa e fortalecer a democracia brasileira.

LUCAS AUGUSTO

Artigo de Opinião