INFLUÊNCIA DAS RELAÇÕES AFETIVAS NA APRENDIZAGEM
SILVA, Bruno José Martins Da. Bacharelando em Psicopedagogia no Centro Universitário Internacional Uninter
LEAL, Jonas Pereira
RESUMO
Este trabalho, é focado nas emoções humanas, descrevendo a importância e as influências das relações afetivas no processo de ensino-aprendizagem e na construção da subjetividade do indivíduo. Tal problemática consiste em apresentar as influências positivas e negativas dos vínculos emocionais na aprendizagem humana ao longo da vida. O artigo trata como influências de motivação ou desmotivação na vida do educando, está ligado em seu desenvolvimento cognitivo e social. O trabalho, aborda o papel dos vínculos familiares na formação da personalidade de cada indivíduo. Demonstra questões que justificam o entendimento e criação do vínculo entre aluno, professor, escola e sala de aula. Assim, analisa algumas das origens dos problemas no processo de socialização e desenvolvimento do ensino-aprendizagem de educandos no Ensino Fundamental I. Apresenta as influências familiares e sociais na vida e construção da subjetividade do indivíduo, abordando metodologias que surtem efeitos emocionais positivos na vida do educando no ambiente escolar, trabalhando e amenizando os impactos negativos externos e internos ao ambiente escolar. O objetivo central deste trabalho é apresentar ferramentas de intervenção psicopedagógica nas emoções humanas, proporcionando um ambiente propício ao diálogo e à afetividade na comunidade escolar. Para isso, foram empregados os seguintes procedimentos; leitura textual, livros, e artigos científicos. Esses procedimentos serão fundamentados a partir da revisão bibliográfica de influências teóricas e metodológicas pesquisadas que auxiliam na construção dos objetivos esperados.
Palavras-chave: Afetivas. Aprendizagem. Emoções. Intervenção. Psicopedagógica.
Introdução
Cada dia é mais abordado como as emoções influenciam a vida cotidiana do ser humano. Na vida das crianças é fundamental abordarmos esse tema, uma vez que é na infância, que muto das características do adulto é constituída. A criança é um ser pautado de direitos, deveres e cuidados. Ao nascer, seu primeiro contato, passa a ser com a mãe, que lhe deve proporcionar, bem-estar, segurança e alimentação. O pai também apresenta um papel fundamental no processo de desenvolvimento da criança, após a gestação, proporcionando os cuidados necessários para o início da construção integral do indivíduo. E as crianças, que não possuem pais biológicos? Cabe aos adultos responsáveis o cuidado e a responsabilidade e o papel de referência materna e paterna, levando em consideração que a figura materna e paterna não necessariamente é a biológica. Aqui é fundamental entender, que a infância é a fase que fundamenta as características da vida adulta. Quando falamos em emoção, estamos falando de algo que está presente em todos os lugares, redes sociais, obras de ficção, trama, novelas, músicas, documentários, propagandas etc. Porém a grande maioria desses conteúdos, são superficiais do ponto de vista científico, pouco contribuindo para a compreensão. A emoção, está ligada com a cognição, comportamento, linguagem, aprendizagem e decisões a serem tomadas, nas quais as influências estão nos relacionamentos sociais, aprendizagens, aprimoramentos e maturidade adquirida ao longo do tempo. Essas informações, são armazenadas e decodificadas no cérebro humano. Por esse motivo, podemos dizer que esse campo de estudo, é chamado de Neurociência das Emoções. Diante disso, podemos entender que as emoções, possuem fatores fisiológicos; que são a resposta do corpo diante de uma situação, proporcionando alterações na pressão arterial, batimentos cardíacos e temperatura.
Fatores comportamental; são ações, movimentos e expressões mediante a situações. Cognitiva; alterações no pensamento, memória, sensações objetivas e interpretação das situações. (MORAIS 2020)
O humor, também faz parte das emoções humanas, ele está presente mediante acontecimentos do cotidiano. Alguns exemplos são; um aluno, estuda dias para um exame de ensino médio, ao chegar o dia da prova, o aluno percebe que o professor teve que adiar o dia da prova por ter recebido um aluno novo em sala, a reação do aluno que estudou passa a ser negativa, sua expressão demostra um mau humor e descontentamento, acreditando que o seu esforço para aquele momento foi em vão para aquele momento. Começa a ficar irritado e com raiva do aluno novo que chegou na semana.
Em outro exemplo, um aluno não estudou para o exame que faria naquele dia, ao saber que o professor adiou a prova por ter recebido um aluno novo naquela semana, passa a sentir um bom humor, ficando feliz, sorrindo e agradecendo a chegada do novo aluno. Esses são dois exemplos de um mesmo acontecimento que geraram humores diferentes, que consequentemente criaram em emoções nos indivíduos.
Entendemos que as emoções e sentimentos estão presentes em todos os momentos da vida, seja ao acordar e realizar os afazeres do dia ou ao dormir, quando as emoções e sentimentos da vida influenciarão para um bom ou mau sono e até mesmo em um sonho. Emoções sempre apresentara respostas positivas ou negativas mediante acontecimentos externos e internos, e os sentimentos são interpretações criadas pelo encéfalo para a alteração fisiológica provocada pelo organismo. (MORAIS, 2020, p.42)
As emoções contribuem para a aprendizagem positiva ou negativamente, por estar ligada com a cognição, possui característica primária que é inata, ou seja, que está presente no indivíduo e características segundarias que está presente no meio social ao qual o indivíduo está inserido. De acordo com Gazzaniga, Heatherton e Halpern (2008, p. 405), “as emoções primárias são, basicamente, alegria, medo tristeza, repulsa, raiva, surpresa e desprezo”. De acordo com o autor, as emoções primarias são vivenciadas culturalmente de forma a evoluir e adaptar-se com o meio.
As emoções secundárias, possui a mistura de todas as emoções primárias como alegria e medo que gera ansiedade. Um exemplo é a realização de um concurso; quando sei que fui bem e passei, fico alegre, porém tenho medo do resultado final e de minha colocação, gerando ansiedade mediante a situação vivenciada. Um outro exemplo é o sentimento de tristeza e raiva que ocasiona a empatia; um vizinho, teve a casa invadida e alguns de seus pertences roubados, mediante a situação, passo a sentir tristeza e raiva pelo acontecimento, esses dois sentimentos geraram uma empatia para com o vizinho, levantando uma interrogação, e se fosse em casa?
Mediante esses exemplos, fica mais claro entendermos as contribuições das emoções primarias que possuem fundamentos biológicos/fisiológicos com as emoções segundarias que possuem fundamentos externos que ativam sentimentos fisiológicos. Outro fator de influência das emoções é a Sexualidade Humana, de acordo com Tilio (2014, p, 36), “os corpos dos homens e mulheres, por serem natural, biológico e anatomicamente diferentes, resultam em características psicológicas, sociais e comportamentais diferenciadas”. (RAFART, P.36)
Diante do exposto é evidente que a sexualidade compõe a subjetividade do indivíduo, cada sexo, possui um padrão comportamental, menina, menino etc. O “padrão” social e a reprodução do mesmo na família ou escola, passa a ser responsável por gerar culpas e sofrimentos na vida de um indivíduo, muitas vezes, são utilizando de pretextos religiosos e patriarcais para reprimir a sexualidade e gerar sentimentos negativos e traumas. A escola deve ter um papel de agente acolhedor e transformador mediante a sexualidade.
Ao falarmos de sentimentos e emoções, no ambiente escolar, é notável a grande influência que os alunos trazem de casa e do contexto em que está inserido, padrões de comportamentos diversos, como o não respeito as regras, a agressividade, e a defasagem no que se refere ao ensino-aprendizagem. Comportamentos predominantes, serão reproduzidos no ambiente escolar e comprometera o desenvolvimento integral do aluno.
Para identificar o comportamento emocional do indivíduo e sua aprendizagem, de acordo com Sampaio (2014), algumas observações podem ser feitas de forma cuidadosa, como olhar o caderno da criança, seus registros, ortografia e traçado das letras, observar o início, meio e fim da realização de uma ou mais atividades, observar o modo de lidar e cuidar de seus materiais escolares, observar seu modo de higiene pessoal, observar a realização de tarefas, é completa ou incompleta, contem consistências e erros, como é a nutrição da criança, será que ela está com fome? ela lancha na escola?
Também devem ser observados, relatos verbais da criança, o vínculo entre sua fala e sua aprendizagem, sua coordenação motora, como segura o lápis, como faz uso da borracha, como foleia o seu caderno e livros. Qual o seu nível e compreensão de leitura, como é o seu comportamento social mediante a outras pessoas etc.
Esses fatores observáveis, podem ajudar na compreensão do vínculo que a criança tem com a aprendizagem, auxiliando assim a entender seus níveis e vínculos emocionais vigentes perante as situações.
Mediante ao exposto, se faz necessário um corpo docente preparado que atente a essas necessidades de observação, escuta e acolhimento sem julgamentos. As escolas precisam observar que os padrões de comportamentos negativos, não necessariamente é culpa do aluno que por sua vez poderá já carregar uma farda bagagem de sentimentos negativos. Por exemplo; como é possível uma criança que vive em meio a uma família em que os familiares só falam gritando, ou usam de palavrões, seja respeitosa no convívio em sala de aula, com o professor e os colegas? Ou será o rotulado como problemático que todos desprezam, ou o quietinho que não abre a boca para nada e não dá trabalho com nada. Enquanto esses padrões de comportamentos são ignorados, um pedido de socorro também pode estar sendo ignorado. Uma criança triste não produz de forma autônoma, assim como uma criança com fome, medo, insegurança e revolta. Mediante as emoções e o processo de aprendizagem, Vygotsky,1995, nos contribui com a importância de observarmos as zonas de desenvolvimentos das crianças; na zona de desenvolvimento real, podem ser observados o que o sujeito consegue realizar de forma autônoma. Na zona de desenvolvimento potencial, é possível observar o que o indivíduo consegue construir com auxílio e intervenções necessárias. Na zona de desenvolvimento proximal, é possível observar os conhecimentos do indivíduo, o que ele sabe e faz, e qual o seu potencial para aprender novas coisas, sendo essa zona de observação, a principal responsável pela aprendizagem. De acordo com (SARAVALI, 2005). Quando falamos em aprendizagem, ou dificuldades de aprendizagem, estamos falando de uma construção histórica que pode ser identificada por todas as influências internas e externas do indivíduo ao longo da vida. Esse conhecimento, nos ajuda a entender que todos os indivíduos, são capazes de aprender e alcançar o seu potencial, sendo assim, se faz necessária uma prática psicopedagógica mediante as necessidades dos alunos.
Cabe observar, ainda, que o baixo rendimento acadêmico e as dificuldades de aprendizagem interferem na autoestima da criança, ocasionando frustração, sobrecarga emocional e sentimentos de inferioridade. Nesse contexto, os problemas de aprendizagem podem se originar também das angústias e inseguranças da criança; por isso, é importante que a escola esteja atenta à integração da criança na sala de aula e em seu meio social (Novaes, 1982).
O desenvolvimento e habilidades ou dificuldades da atenção, escrita, fala, leitura, socialização e aprendizagem, estão ligados ao desenvolvimento positivo ou negativo das emoções vivenciadas ao logo da vida, principalmente na infância. Nessa fase, a criança começa a reconhecer seus sentimentos e assim expressar alegria, raiva, medo e tristeza, ou seja, a criança reconhece as emoções recebidas através de comportamentos, da fala, e expressões faciais.
Nesse período são desenvolvidos seus laços afetivos e a empatia, por esse motivo, se faz necessário a compreensão da importância do uso da fala adequada com a criança, a tonalidade de vós, a expressão corporal ao se direcionar a criança, o uso do lúdico de acordo com a faixa etária, a não exposição de discussões perante a criança, entre tudo que possa comprometer o desenvolvimento saudável da criança.
Esses preceitos devem ser observados tanto no ambiente familiar, quanto no ambiente escolar, cabendo a escola em sua equipe pedagógica, corpo docente e funcionários e comunidade, construir e seguir um currículo que vise o desenvolvimento integral do aluno.
Diante do texto decorrido, como é possível ajudar no desenvolvimento social e emocional positivo das crianças?
Estimular a criação de rotinas diárias e alguns horários fixos;
Estimular a independência ao desenvolver uma atividade;
Estimular o convívio social e com o diferente;
Estimular a empatia para com o outro;
Estimular o cuidado com a higiene e a saúde;
Estimular o uso de palavras adequadas;
Estimular livros, desenhos e filmes que desenvolvam as emoções;
Estimular a prática de esportes;
Realizar atividades como figuras que representem, crianças felizes, tristes, com medo, bravas, amáveis, doente, saudável etc. Relacionando a acontecimentos importantes.
Esses foram alguns dos estímulos que podem auxiliar no desenvolvimento positivo das emoções na vida da criança, podendo ser utilizado por pais e professores. Ao psicopedagogo, é fundamental o entendimento dos estágios de desenvolvimento da criança, uma formação sólida está ligada ao desenvolvimento pessoal, conhecimentos e técnicas, reflexão crítica, construção permanente, valores, empatia e ética profissional. Claro 2018, apresenta o processo de formação do psicopedagogo, apresentando três momentos: autoformação, heterformação e interformação (GARCIA, 1999).
A autoformação, é quando o educando como sujeito, de maneira independente participa dos processos de formação, mantendo o controle dos instrumentos e objetos utilizados em sua formação. Por exemplo; leitura de materiais, realização de atividades, contato direto e construção de ferramentas diversas.
A heteroformação, é a formação desenvolvida e organizada por especialistas responsáveis a formação, sem a participação do formando, por exemplo; textos bases, rotas de aprendizagem, livros e aulas e palestras ministradas pelo professor do componente curricular.
A interformação, é a ação educativa com as atualizações dos conhecimentos adquiridos, proporcionando a interação do formando com outros sujeitos em formação, por exemplo; através de fóruns de discussão e apresentações de atividades.
Podemos entender mediante a formação do psicopedagogo, a sua capacidade contributiva no processo de intervenção no ensino-aprendizagem mediante as dificuldades advindas das experiências emocionais. Porém, mediante as necessidades do indivíduo, a intervenção meramente do psicopedagogo, não surtira grandes efeitos, se faz necessário um trabalho em conjunto com a família, escola, professor, psicopedagogo e outros profissionais mediante a necessidade. A escuta e o diálogo com a família é fundamental para entender os problemas e dificuldades e comportamentos observados na criança, o professor também possui um papel fundamental na observação e intervenção nos problemas de aprendizagem advindo das emoções do indivíduo. Auxiliando em promover um ambiente acolhedor, de escuta e cooperatividade. A escuta e o acolhimento sem julgamentos é um passo importante para a criação de vínculos positivos, onde a criança sentira um apoio emocional no qual poderá confiar. Promover um ambiente acolhedor em sala, trabalhando as individualidades, o respeito e a subjetividade de cada pessoa.
A utilização de atividades focadas nesses aspectos é essencial para o auxílio. O professor ao utilizar dessas práticas e identificar alguma dificuldade mediante o comportamento emocional, poderá expor o caso para a equipe pedagógica que acolhera a queixa e auxiliara nas necessidades. A ser requisitado o auxílio do psicopedagogo, então começara um trabalho coletivo para a amenização dos impactos negativos mediante a questão.
A aprendizagem, está ligada com o sujeito e o meio em que ele está inserido, os problemas de aprendizagem podem ser apresentados dentro de um padrão de normalidade ou anormalidade.
Quando algo é considerado normal, a criança produz, aquisições de conhecimentos que são considerados positivos. Ao serem considerados um problema patogênico, observaremos que a aprendizagem do indivíduo, apresenta pré-condições para realizar alguma atividade, dando sinais de que algum transtorno possa estar presente.
Ferreira 2020, apresenta os problemas de aprendizagem, mediante as pré0condições do sujeito, com influências dos acontecimentos do meio em que ele vive. Diante disso, os fatores emocionais e a maneira em que a criança entende o mundo, apresentara a qualidade do vínculo que será estabelecido com a realidade, sua percepção das coisas que o rodeia, o significado das situações e o seu modo de agir.
Visca, 1998, estabeleceu pelo modelo da epistemologia convergente a nosografia, que está dividia em três níveis patológicos; o Semiológico, o Patogênico e o Etiológico.
O Semiológico está ligado aos sintomas visíveis como por exemplo a preguiça de copiar atividades do quadro. Causas intrapsíquicas, conhecido como a queixa, são comportamentos percebidos no momento da interação do indivíduo com a aprendizagem. Alguns exemplos são; a observação das trocas de letras no momento da escrita, e a não retenção do conteúdo trabalhado.
Patogênico está ligado às estruturas cognitivas que explicam as causas, sendo reconhecido também, como os obstáculos que o indivíduo possui em sua aprendizagem. Existem algumas denominações para esses obstáculos epistêmico, epistemofíco e funcional.
Etiológico faz referência ao início dos obstáculos, sendo denominado como causas primárias, pois a referência está nas causas que originaram os obstáculos. Exemplo, qual é a origem histórica do problema que se revela no momento atual do indivíduo. Essas origens podem ser, orgânicas, fisiológicas, psicológicas, afetivas ou cognitivas.
(FERREIRA, 2020, p. 144)
Sintomas: o epifenômeno ou aspecto manifesto de uma entidade mais complexa. É o emergente da personalidade em interação com o sistema social ou seus mediadores. Isso também acontece no princípio interacionista, mas insiste no sujeito e não no meio. (Visca, 1994, p. 59, traduzido)
Os escritos relacionados a epistemologia convergente, nos apresenta as patologias como algo que não é identificada de forma simples, pois requer um processo rigoroso de investigação. Mediante o que vimos até aqui, podemos nos pergunta; o que é a inteligência?
Segundo Sternberg (2000), ao falarmos de inteligência, não é possível deixar de falar sobre as inteligências múltiplas. O autor apresenta três dimensões da inteligência, sendo elas, analítica, criativa e prática. A inteligência analítica; visa analisar, comparar e avaliar. A Inteligência criativa; visa criar inventar e planejar. A Inteligência prática; visa aplicar, usar e utilizar.
As inteligências múltiplas, podem ser denominadas de diferentes habilidades cognitivas como:
Inteligência corporal; é a capacidade do controle e equilíbrio do corpo, estando ligado com a coordenação motora, o equilíbrio, a flexibilidade e a velocidade, que são usados para se expressar.
Inteligência espacial; é a capacidade da compreensão do mundo ao seu redor tanto na forma física quanto mentalmente. Essa inteligência, está relacionada com as percepções tidas de espaços, manipulação de formas, e compreensão de imagens.
Inteligência linguística ou verbal; é a capacidade da utilização da linguagem da forma correta e eficaz, seja na fala ou na escrita.
Inteligência musical; é a capacidade do indivíduo perceber, interpretar e distinguir gêneros musicais.
Inteligência naturalista; é a capacidade do indivíduo relacionar-se com o meio ambiente e outras formas de espécies.
Inteligência interpessoal; é a capacidade do indivíduo se relacionar com outras pessoas, respeitando suas características pessoais, compreendendo suas emoções, desejos e intenções através da empatia. A interpessoalidade, está caracterizada pelo bom humor, carisma, comunicação, flexibilidade, inteligência emocional e socialização.
Inteligência intrapessoal; é a capacidade da compreensão e controle das emoções pelo indivíduo, seus pensamentos e atitudes mediante os acontecimentos do dia a dia, estão pautadas naquilo que é conhecido em si mesmo. Sendo assim, essa habilidade é desenvolvida, a partir do autoconhecimento.
Para a conclusão desse trabalho, será apresentado algumas das influências da inteligência emocional na vida do indivíduo.
A inteligência emocional está ligada às emoções, pois é a capacidade de perceber, compreender e gerir as próprias emoções e as dos outros , sendo ela a capacidade da percepção, compreensão e capacidade de gerir as emoções. Indivíduos fragilizados emocionalmente, podem apresentar dificuldades de compreender, gerir e perceber as suas emoções, comprometendo sua socialização e aprendizagem.
Mediante o discorrido, a inteligência emocional é fundamental na vida das pessoas, sendo desenvolvida e mediada por técnicas que concentram no momento presente sem julgamentos, com o objetivo de reduzir o stress e a ansiedade, melhorando o foco e a capacidade da memória. Trabalhar a inteligência emocional, é fundamental para o desenvolvimento positivo do indivíduo, para seu sucesso pessoal, profissional e social. Como foi dissertado ao longo do texto, o ensino-aprendizagem, não ocorre apenas no processo cognitivo, mais em um conjunto de fatos emocional, racional e social (MORAIS, 2020). Uma criança quando chega em um ambiente novo, como por exemplo a sala de aula pela primeira vez, passa a vivenciar um novo ciclo social, diferente de seu ciclo familiar, ao ser direcionada a uma sala de aula, encontrara novas pessoas que jamais viu, e um adulto professor que jamais conheceu, haverá diversos sentimentos por parte das crianças; algumas vão chorar, sentir medo, insegurança, algumas crianças engolirão o choro, buscarão fazer novos amigos e buscarão conquistar o seu espaço.
Se o adulto presente em sala, não criar vínculos emocionais positivos, com cada criança e condicionar o vínculo entre as crianças, haverá uma dificuldade no processo de aprendizagem desses indivíduos, o adulto deve entender que o ensino-aprendizagem é um conjunto que é construído, através das emoções, socialização, troca de experiências e empatia, os problemas emocionais existem em todos os contextos, seja família, escola, trabalho, etc.
De acordo com Knapp (2009, p. 466), para que aconteça o equilíbrio emocional e um bom relacionamento interpessoal do indivíduo, é necessário focar no desenvolvimento das habilidades existentes, e não especificar o problema pessoal gerado por situações inadequadas. Quando a criança, apresenta dificuldades emocionais, apresentara inúmeros problemas no convívio social, alguns dos comportamentos podem ser a desobediência e agressividade.
Diante disso, se faz necessário trabalhar a fim de amenizar os impactos negativos desse comportamento, reduzindo ou removendo esses comportamentos que causam sofrimentos na vida do aluno, potencializando suas capacidades, com intuito de promover condições saudáveis de convívio e na qualidade de vida. Na prática, o ato de aprender está ligado aos estados das emoções contidas no dia a dia da vida do indivíduo.
Durante muitos anos, as emoções foram interpretadas como estados separados da razão, mais quando falamos da mente humana, é preciso entender que existe uma ligação profunda entre emoção e razão. Por exemplo, uma criança para realizar uma atividade avaliativa, terá de desenvolver suas capacidades de raciocínio, conjuntamente a esses raciocínios, se faz presente as emoções envolvidas no momento como a ansiedade, a alegria, o medo, a surpresa, a tristeza por exemplo.
Essas emoções são variadas de acordo com cada criança. Ao longo do processo educativo, essas emoções poderão ficar mais intensas ou diminuírem, de acordo com cada criança envolvida no processo educativo. Esses comportamentos, também podem ser observados a realização de cada componente curricular, por exemplo nas aulas de matemática, pelo motivo de alguma criança possuir alguma dificuldade no raciocínio lógico-matemático, ficará ansiosa, insegura, e com medo de receber algum estímulo negativo como punição por não desenvolver alguma atividade, o que dificultara ainda mais o seu aprender.
Já na aula de artes, essa mesma criança pode gostar e desenvolver positivamente o seu lado artístico com autonomia e criatividade, proporcionando alegria, e condicionamento positivo. Observações nesses casos, são fundamentais para que o professor possa utilizar dos dois contextos para realizar intervenções necessárias. Qual das habilidades dessa criança em uma atividade X eu posso utilizar em uma atividade y?
Como uma atividade que gera autonomia e bem-estar pode auxiliar no desenvolvimento das capacidades de raciocínio em uma atividade que gera ansiedade e insegurança?
Mediante o contexto, entendemos que o processo do ensino-aprendizagem, é desenvolvido de forma integral, nos níveis cognitivo, emocional e social. Para Damásio 2012, “A ligação entre emoção, razão e aprendizagem é a relação estruturas cerebrais como o córtex pré-frontal, o sistema límbico e o tronco encefálico” (Damásio, 2012, p.6-8).
Entendemos então que, o aprender não é apenas as capacidades cognitivas de cada pessoa possui, mais também um modo particular de aprender de acordo com o seu contexto histórico, psíquico, cultural e social. Esse artigo nos fez entender, que o processo de ensino-aprendizagem, é algo individual e único para cada ser humano, mediante essa individualidade, o erro não é algo que deve ser encarado de uma forma negativo, mais sim como algo que auxilie no processo de aprendizado de uma criança. Como mencionado ao longo do texto, entender e trabalhar as emoções é algo fundamental na construção da subjetividade dos indivíduos. Agressões verbal, física e psicológica, contribuem no reforço negativo dessas emoções, dificultando o desenvolvimento integral das crianças.
Por outro lado, reforçar as emoções positivas, criando vínculos afetivos entre os alunos, gerando acolhimento, elogios nas pequenas conquistas, escuta das queixas, acolhimento sem julgamentos, criando estratégias e estímulos de empatia e sociabilidade, estaremos contribuindo para a criação da autonomia emocional dos indivíduos e no reforço de um aprendizado autônomo, dentro das diversas capacidades identificadas. O desenvolvimento humano integral, é feito de escolhas simples, escolhas complexas, escolhas individuais, escolhas acadêmicas, escolhas profissionais e sociais (MORAIS, 2020).
“Às pessoas que eu amo são aquelas que eu ainda não aprendi a amar” (FERREIRA, 2020, p. 9)
Metodologia
Pesquisa mista, utilizando como técnica de obtenção de informações pesquisa bibliográfica e documental.
Pesquisa bibliográfica – Textos teóricos, livros e documentos publicados por professores pesquisadores. (FERREIRA, 2020), (MORAIS, 2020,), (RAFART,), (FARIAS "et al"., 2019), (SILVA, 2021), (CLARO, 2018).
Pesquisa documental – Objeto de estudo determinado, comportamento humano a partir das emoções e suas influências E variáveis. (Piaget,1971)
3. Revisão bibliográfica/ Estado da arte
Quais as influências e contribuições da epistemologia convergente. “A autora traz à obra os ensinamentos piagetianos que contribuem para o entendimento dos esquemas da construção mental” (FERREIRA, 2020, p.16)
Qual a importância das influências emocionais em nosso cotidiano. “As emoções são essenciais ao processo cognitivo e às expressões corporais, isto é, a ligação entre eles é intrínseca” (MORAIS, 2020, p 39)
Como lidamos emocionalmente com os eventos cotidianos. “De acordo com Gazzaniga, Heatherton e Halpern (2018, p.404), as emoções são respostas imediatas, positivas ou negativas, relacionadas a eventos externos ou internos” (MORAIS, 2020, p.42)
Quais são as influências da sexualidade na construção da personalidade humana. “Como faceta humana, a sexualidade é elemento fundamental para a afetividade e para a consciência da personalidade” (RAFART, 2019, p. 23)
quais as contribuições dos estudos do desenvolvimento humano ao longo de toda a vida humana. “Quando estudamos o desenvolvimento humano, estamos verificando a singularidade das pessoas. Diferentes autores definem os domínios do desenvolvimento como estágios que podem sofrer alterações” (SILVA,2021, p.28)
Quais as contribuições da epistemologia Genética nas emoções e no desenvolvimento humano. (SILVA, 2019, p.28)
Piaget afirma que as teorias clássicas do conhecimento foram as primeiras a formular a pergunta como é possível o conhecimento? que logo se desdobrou em uma pluralidade de problemas. Contudo, o postulado comum das diversas epistemologias tradicionais é de que o conhecimento é fato, e não processo, ao passo que a epistemologia genética de Piaget entende o conhecimento mais como um processo (Piaget,1971)
4. Considerações finais
O Artigo teve como objetivo, contribuir na compreensão das emoções humanas, apresentando a importância e as influências das relações afetivas no processo de ensino-aprendizagem do ser humano, bem como na construção da subjetividade do indivíduo. Apresentou a problemática das influências positivas e negativas na motivação ou desmotivação, introversão ou agressão. As emoções geradas por convivências no contexto familiar, social e econômicos na vida do educando, que influenciam direta ou indiretamente em seu desenvolvimento cognitivo, social e emocional. A família foi apresentada, como peça primaria e fundamental, possuidora de influências diretas na vida e construção da subjetividade do indivíduo, posteriormente o ambiente escolar e sua hierarquia, e assimilação feita dela por parte do indivíduo, e com ela, todas as informações e interpretações captadas por ambientes externos aos muros escolares, como comunidade, religião, e classe econômica, contribuindo indiretamente na construção de seu caráter e princípios. Foram abordados o papel da escola na vida do educando, e apresentadas algumas metodologias que auxiliem na intervenção psicopedagógica do indivíduo, gerando efeitos emocionais positivos na vida do educando no ambiente escolar, trabalhando e amenizando os impactos negativos que venham a gerar maiores transtornos emocionais, de acordo com os teóricos apresentados.
Referências
CLARO, Genoveva Ribas. Fundamentos de psicopedagogia. Curitiba: Intersaberes, 2018.
FARIAS, Elizabeth Regina Streisky de; GRACINO, Eliza Ribas. Dificuldades e Disturbios de Aprendizagem. Curitiba: Intersaberes, 2019.
FERREIRA, Loriane de Fátima. Psicopedagogia e Teoria da Epistemologia Convergente: Novas Contribuições. Curitiba: Intersaberes, 2020.
MORAIS, Everton Adriano de. Neurociência das Emoções. Curitiba: Intersaberes, 2020.
RAFART, Maria. Sexualidade Humana. Curitiba: Intersaberes, 2019.
SILVA, Gustavo Thayllon França. Desenvolvimento Humano nas Diversas Faixas Geracionais. Curitiba: Intersaberes, 2021.
SILVA, Wilson. Epistemologia genética. Curitiba: Intersaberes, 2019.