GUARDADOR DE PALAVRAS DO 2° ANO D
Não foi possível a minha presença, mas estou muito feliz pela publicação e recebimento do livro Guardador de Palavras do 2° Ano D pelos alunos.
Sou Bruno José Martins da Silva, professor e educador, licenciado em Pedagogia, bacharel em Psicopedagogia e Ciência Política. Possuo especialização em Docência e Gestão do Ensino Superior, Alfabetização e Letramento, Educação Infantil e Anos Iniciais. Vamos ao que interessa; O projeto Guardador de Palavras do 2° Ano D, nasceu no segundo ano do Ensino Fundamental como uma experiência profundamente significativa de ensino e aprendizagem, realizada por mim na Escola Municipal Lúcia Moro, na cidade de Cianorte no Paraná. Inspirado na obra Guardador de Palavras da Gabi, da autora Aida Franco, o trabalho aproximou a literatura Cianortense da realidade das crianças, valorizando a cultura local e o cotidiano de cada aluno. A proposta consistiu na criação de um guardador de palavras individual, no qual cada criança registrava, por meio da escrita e do desenho, suas memórias, pensamentos e experiências mais significativas no dia a dia. Ao longo dos meses do ano de 2023, os alunos foram trazendo suas vivências. Momentos simples, como um passeio no parque, uma brincadeira no balanço, uma viagem, ou um acontecimento em família, transformavam-se em desenhos e narrativas escritas com suas próprias palavras, ainda que permeadas por erros ortográficos, compreendidos como parte essencial do processo de aprendizagem.
Esse trabalho, revelou algo que eu desejava ver na prática, de que quando a criança escreve com sentido, a escrita deixa de ser uma atividade mecânica e passa a ser uma necessidade real. Nesse contexto, os alunos começaram a buscar a forma correta das palavras, questionando, refletindo e dialogando com o professor, não por imposição, mas por desejo de expressar com clareza aquilo que vivenciaram. A escrita, então, ganhou função social e significado concreto. A criação dos guardadores, foi fundamentado nos princípios da pedagogia histórico-crítica e pedagogia libertadora, tendo como base teórica pensadores como Dermeval Saviani e Paulo Freire, valorizando uma prática educativa crítica, significativa e libertadora sendo perfeito para o Ensino Fundamental. Nesse sentido, o guardador de palavras rompeu com a ideia da cópia e da memorização mecânica, transformando a escrita em instrumento de expressão, reflexão e construção da própria realidade. Ao final do processo, cada criança apresentou seu próprio livro o Guardador de Palavras com o seu nome, reunindo suas produções ao longo daquele ano. O Meu papel como professor, foi o mínimo na produção textual, limitando-se à organização final dos materiais: estruturar, ordenar e montar os registros em formato de livro. A autoria foi integralmente das crianças, respeitando suas vontades, contextos e formas de expressão.
O resultado desse trabalho foi apresentado na Mostra Cultural da escola, onde os guardadores de palavras foram expostos aos pais e comunidade, como registros de vida, e verdadeiro ensino, aprendizagem e identidade. Além de uma atividade pedagógica para uma exposição, o projeto que realizamos, tornou-se uma experiência transformadora, na qual a escrita deixou de ser um exercício escolar e passou a ser um meio de eternizar memórias, sentimentos e vivências daquelas crianças. Penso que o Guardador de Palavras do 2° Ano D, não foi apenas um projeto, mas uma prova de que, quando a criança se expressa livremente e com sentido, o aprendizado se torna vivo, significativo e humano. Termino citando o que Paulo Freire Disse: “O professor é, naturalmente, um artista, mas ser um artista não significa que ele ou ela consiga formar o perfil, possa moldar os alunos. O que um educador faz no ensino é tornar possível que os estudantes se tornem eles mesmos” (Paulo Freire).
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